Angola gastou USD 1,79 mil milhões com a importação de derivados de petróleo no primeiro semestre de 2026, mais 36% em relação ao período homólogo de 2025, apesar de ter registado uma ligeira redução no volume de combustíveis adquirido no exterior.
Entre Janeiro e Junho deste ano, o país importou cerca de 1,74 milhão de toneladas métricas de derivados de petróleo, menos 0,6% do que as 1,75 milhão de toneladas importadas no mesmo período de 2025. No entanto, a factura de importação aumentou aproximadamente USD 470 milhões, passando de USD 1,32 mil milhões para USD 1,79 mil milhões.
O aumento dos gastos ocorre num contexto internacional marcado pela limitação da oferta de petróleo e de produtos refinados, bem como pela subida dos preços e dos custos logísticos, influenciada pelas tensões e pelo conflito no Médio Oriente.
A pressão sobre o sistema de abastecimento interno foi agravada pela paragem programada da Refinaria de Luanda, responsável por cerca de 29% das necessidades do mercado nacional. A interrupção temporária da produção reduziu a oferta doméstica e obrigou o país a recorrer em maior escala às importações.
Angola continua a depender das importações para assegurar cerca de 70% das necessidades nacionais em produtos refinados, situação que deixa o mercado interno vulnerável a choques externos, oscilações de preços e constrangimentos nas cadeias internacionais de abastecimento.
As dificuldades de abastecimento foram ainda agravadas por problemas na distribuição interna. De acordo com a Sonangol, dois navios de cabotagem utilizados para transportar combustíveis entre os terminais oceânicos do país registaram avarias técnicas, obrigando a petrolífera a recorrer ao transporte rodoviário.
A alteração temporária do modelo de distribuição tornou o processo mais demorado e complexo, contribuindo para situações de escassez de derivados de petróleo em algumas regiões do Centro e Sul de Angola. As dificuldades tiveram reflexos na mobilidade e na actividade económica local.
O aumento da factura de importação também eleva a pressão financeira sobre a Sonangol, num cenário em que o Estado continua a suportar custos associados à subvenção aos combustíveis.
Perante este quadro, os projectos de refinação em curso no país ganham importância estratégica. O aumento da produção nacional de combustíveis poderá reduzir a dependência das importações, diminuir a necessidade de utilização de divisas e tornar o mercado interno menos exposto às oscilações internacionais.
A Refinaria de Cabinda, inaugurada no ano passado, tem capacidade de processamento de 30 mil barris por dia, mas opera actualmente abaixo desse nível. A unidade produz nafta e fuel óleo pesado (HFO), destinados à exportação, enquanto o Jet Fuel e o gasóleo são absorvidos pelo mercado de Cabinda.
Entretanto, as refinarias do Lobito e do Soyo continuam em diferentes fases de desenvolvimento. Apesar dos constrangimentos relacionados com o financiamento, os projectos apresentam níveis de execução física de 26% e 2%, respectivamente.
O reforço da capacidade de refinação nacional é apontado como uma das principais vias para reduzir a exposição de Angola ao mercado externo e garantir maior segurança no abastecimento de combustíveis no país.